"QUE MEUS SEGUIDORES SEJAM POUCOS E SECRETOS. ELES GOVERNARÃO OS MUITOS E CONHECIDOS."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

MISSIVA AOS ÍDOLOS DE BARRO

Nenhum LUCIFERIANO Pode ser nacionalista.
A divisão do Homem em critérios políticos, fronteiriços ou geográficos é uma das bases da dominação e exploração de grupos políticos, atrelados a espoliação do capital e ao sectarismo dogmático religioso.

Nenhum LUCIFERIANO pode segregar-se de outros com base em diferenças étnicas e raciais.
A crença que determinantes climáticos-ambientais, faz de alguns homens melhores que outros em negar a essência humana como todo. É rebaixar o homem e tirá-lo de sua plenitude.

Nenhum LUCIFERIANO pode seguir qualquer religião, seita ou dogma.
Aquele que segue alguma religião, tira de si a sua individualidade, a capacidade de ser, pensar e almejar a plenitude da transformação interior – a conversão do micro em macrcosmos. Toda religião é a escora dos medíocres, a muleta do aleijado a prótese do amputado. Ser LUCIFERIANISTA é acreditar que Deus é o homem e sua busca não está fora mais dentro de si mesmo.

Nenhum LUCIFERIANO é escravo de suas paixões.Aquele que idolatra o amor,futebol, dinheiro, moda ou qualquer fetiche mundano, tem o mesmo status de um cachorro, que sem ter discernimento, implora migalhas de seu dono. Ou seja, implora migalhas de pequenas compensações para sua eterna frustração.

Todo LUCIFERIANO sabe que viver é também sofrer.
Sabe se resignar diante de sua vida e miséria terrena.Sabe que o desejo é apenas a escapatória para a sua angústia e liberta-se do eterno ciclo de desejo – motivação- frustração. Sabe que a sua angústia é apenas um sinal da perda de sua ancestralidade divina.

Todo LUCIFERIANO é contra o capitalismo.
Apropriar-se do que é um bem de todos, significa assassinar de fome os milhões de alijados dos modos de produção.A propriedade através do qual os teocratas vêm escravizando o mundo a séculos. Baseando-se eternamente na tríplice infâmia: Poder político – religioso-econômico.

Todo LUCIFERIANO sabe que a moral, as leis e os dogmas, são as correntes que agrilhoam os escravos de espírito.
O verdadeiro LUCIFERIANO sabe que não precisa de imposições controlatórias alheias. O Homo superior está acima, pois seus valores são universais.

Xenofobia, idolatria, egolatria. Quantos não morreram em teu nome.
Que o cosmopolitismo seja o teu lar, a comunhão de bens o teu ganho e a razão tua religião.


... Esses são os super-homens.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

HINO A SATÃ

A Ti, do Ser
Princípio imenso
Matéria & espírito
Razão e senso;
Enquanto no cálice
O vinho cintila
Tal qual a alma
Em minha pupila
Enquanto sorri
A terra & o sol
E se revezando
No amoroso arrebol
Corre o frêmito
No sutil arcano
Do monte & palpita
Fecundo & piano;
A Ti o verso voa
Irrefreável, ardido
& Te invoco, O SATAN
& Te convido:
É vão o missal
Do Padre & seu metro!
Não, padre, SATAN
Não o tem dileto!
Vede: mesmo rugindo
Revolva Michael
Seu gládio místico
& a fé do fiel
Depenado arcanjo
Arroja no chão.
Troveja & fulmina
Deus com a mão
Meteoros pálidos,
Num despencamento,
Chovem os anjos
Desde o firmamento
Dentro da matéria
Que ao sono não torna,
Rei dos Fenômenos
Rei de toda Forma
Solitário vive SATAN.
No Império soberbo
Numa trêmula flama
Dum olhar negro,
Ou olho lânguido
Contorce, resiste,
Ou acre & úmido
Provoca & insiste.
Brilho de estrelas
No sangue contente,
Sobrevive a alegria
Jorrando em corrente,
& de passagem
Nossa vida restaura,
Que a dor estende
& o amor ancora.
Teu hálito, O SATAN
Nos versos meus
Em rompantes troveja
Desafiando deus
Os chefes pontífices
Os reis inclementes;
Teu fogo consome
Destrói-lhe as mentes.
A Ti, Bode feroz
Louvou primeiro a arte,
Numa imagem marmórea
De Adônis & Astarte
Quando a iônica
Aurora serena
Abençoou a venérea
Deusa Anadiomena[1].
A Ti do duro Líbano
Adoçou o semblante
& a alma da Cíprida
O priápico amante:
A Ti ferozes & rútilas
Dançaram as cores,
A Ti cândidas virgens
Ofertaram amores
Entre odoríferos
Incensos esfuma
A pálida pomba[2]
Da cípria escuma.
Vade retro bárbaro
Tu nazareno,
No furor do ágape
Do rito obsceno
A sagradatocha
No templo revolve
& os signos gregos
A terra envolve?
Tu bem quisto refugio
Dos deuses caseiros
A plebe recorda
Até nos outeiros
Quando um seio
Femíneo & arfante
Cheio, fervendo
Nume & amante
A bruxa pálida
De eterna cura
Vem a socorrer
A miserável natura
Tu no olho morto
Do alquimista,
Tu indócil fogo
No olhar do magista,
No claustro torpe
Sobre os portais
Revela os fulgidos
Céus Supernais.
De tudo que é teu
Da matéria fugindo
O monge no deserto
Se vai consumindo;
A quem permanece
A alma insistente
Benigno é SATAN
Ao persistente.
Em vão te maceras
Em panos de saco
SATAN te sussurra
De Maro & de Flacco[3].
Entre o davídico
Choro dorido,
As formas divinas,
Sempre trás consigo
Rubra na hórrida
Turba enegrecida,
Conduz Glicera
Conduz Lycorida[4]
& doutras imagens
De idades mais belas
Ao talante povoa
A insone cela[5].
Ele, das páginas
De Lívio[6], ardentes
Tribunos, cônsules
As turbas frementes
Desperta; & fantástico
Do meridiano orgulho
Te enfia, ó monge,
Sobre o Capitólio
& vós, cujo crepitante
Fogo não tem calado,
De Wicleff & Husse[7]
Vozes do fado,
Na aurora em vigília
Um vento falou:
“Se renova o século
O tempo chegou!”
& já já tremulam
A mitra, a coroa:
Pois no claustro silente
A rebelião ecoa,
& pugna & predica
Embaixo da estola
Do Frater Girolamo
Savonarola[8]
Como a túnica rota
De Martinho Luthero[9]
Se livre o homem
Dos grilhões do clero,
& esplenda & fulgure
Em flamas rodeado
Matéria, cantai:
SATAN é chegado!
Uma bela & horrenda
Besta se desaferra,
Navega oceanos
Percorre a terra
Coruscante fumega
Seu brado mui alto,
O monte supera
Devora o planalto;
Sobrevoa o abismo
& nele se oculta
Em antros incógnitos
Por vias incultas
& sobe; indômito
Um raio ultimal
Ribomba seu grito
Como um vendaval,
Como um turbilhão
Seu hálito expande
& marcha, notório
SATAN, o grande.
Marcha, abençoando,
A todos conclama
Na resplandecente
Carruagem de flama
A Ti fumos & incenso
Louvores & vozes:
Tu venceste o deus
E seus sequazes[10].
Salve, Tu, Ó SATAN
Liberdade & Rebelião:
Ó força vingadora
Da humana razão.

Josué Carducci - Poeta Italiano

MEDUSA EYES